Comunicação – riscos, consequências e benefícios

 

Comunicação
Ato ou efeito de comunicar (-se) – Dicionário Michaelis

A humanidade, assim como os demais seres vivos, principalmente os pertencentes ao mundo animal são beneficiados pela capacidade de se comunicar. Logo, não seria nenhum exagero dizer que uma das mais poderosas arma de que dispomos é a comunicação. Esse poder, no entanto tem dois lados e, por isso pode ser útil para construir, tanto quanto pode ser destrutivo.

Em tempos de comunicação instantânea, de várias formas disponíveis de se conectar com informações, independente da distância geográfica, o ser humano vive, sob alguns pontos de vista e em certas proporções, como sendo refém da comunicação. Talvez isso ocorra pelo fato de a facilidade no processo faz com que os cuidados com a qualidade sejam muitas vezes ignorados. O contato com as mais diversas fontes de informações (positivas e/ou negativas) flui natural e automaticamente, de forma que raramente o agente receptor, ou emissor da mensagem para e reflete em tempo oportuno sobre riscos, consequências e benefícios daquilo que se produz, ou se consome nesse processo constante e ininterrupto.

A consciência sobre o poder libertador e, também destrutivo de uma arma é uma das condições básicas para que, quem a manipula o possa fazer em segurança, tanto própria, quanto dos outros. Sendo então a comunicação uma tão poderosa arma, vem a questão: quais cuidados devemos ter ao usá-la? Ao se referir sobre comunicação vale lembrar que a comunicação é muito mais do que expressões escritas ou faladas. De acordo com o Dicionário Michaelis, em uma das tantas definições para o termo se encontra:

“Ato que envolve a transmissão e a recepção de mensagens entre o transmissor e o receptor, através da linguagem oral, escrita ou gestual, por meio de sistemas convencionados de signos e símbolos.” (Dicionário Michaelis – Web)

Esse processo, tão natural, constante e ininterrupto entre os seres tem suas inúmeras consequências. Merece por isso, atenção quanto à qualidade do que entregamos e do que recebemos pela nossa comunicação.

A vida e a qualidade que se dá a ela dependem da comunicação. A questão que pode fazer sentido nesse contexto seria a seguinte: como estar constantemente atento aos fatores construtivos da comunicação e saber usá-los e, como identificar os seus aspectos destrutivos e saber evitá-los? Como dito anteriormente, isso demanda uma consciência abrangente sobre o real sentido que o conceito possui. Em seu artigo acadêmico, denominado “O Poder da Comunicação e a Intertextualidade”, 2002, a pesquisadora Rita de Cássia Marques Lima de Castro, traduz o termo da seguinte forma:

“[…] Transferência ou transmissão de algo para outro, em um complexo processo de interação simbólica; tornar comum o que era monopólio de alguns”; (CASTRO-2002)

Essa complexidade referida pela autora demanda estudos profundos para a compreensão mais abrangente. Existem diversos fatores que podem ser acrescidos como adjetivos ao conceito comunicação e, também considerados como variáveis influentes no processo. Cada um deles com sua importância, dependendo do contexto e da análise que se deseja utilizar. Como exemplo pode ser citado o caso da “intenção” na comunicação. Mesmo estando explícito o termo “intenção”, outras variáveis se farão presentes, tais como: a intencionalidade pode ser conhecida do comunicador, porém nem sempre do receptor da mensagem comunicada. O conteúdo, a forma e o meio utilizados na comunicação pode ser considerado ideal por quem comunica, todavia, quem é comunicado talvez entenda o tal conjunto de outro modo. As condições emocionais e ambientes do emissor da mensagem comunicada e do receptor da mensagens, geralmente são distintas e não se imagina que sejam idênticas. São inúmeros os aspectos que influenciam na comunicação. Isso tudo reforça a necessidade de mais atenção ao tema e à compreensão de que, quanto mais avança a tecnologia e mais imediata se torna a comunicação, mais responsabilidade se deve ter por aquilo que se comunica.

Enfim, comunicação é um tema complexo e que deve ser constantemente estudado e com olhar aguçado sobre a imensidão das variáveis que o influenciam. Em todos os momentos e situações o ser humano de alguma forma está exercitando a arte de se comunicar. Atualmente, com os recursos disponíveis esse processo ocorre de forma, quase que automática e inconsciente. Muito embora exista tal facilidade que é útil e bem-vinda, quanto mais evoluída está a sociedade e mais simplificado o acesso às ferramentas facilitadoras da comunicação, tanto ao comunicar, quanto ao ser comunicado é fundamental a consciência de que o conhecimento pertinente, a observação dos aspectos éticos, legais e de autorresponsabilidade são indispensáveis.

O respeitado cientista Edgar Morin, em seu livro “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, ao se referir sobre a ética do gênero humano, a denomina de “Antropo-ética”, sobre o que, afirma:

“O último aspecto é o que vou chamar de antropo-ético, porque os problemas da moral e da ética diferem a depender da cultura e da natureza humana. Existe um aspecto individual, outro social e outro genético, diria de espécie. Algo como uma trindade em que as terminações são ligadas: a antropo-ética. Cabe ao ser humano desenvolver, ao mesmo tempo, a ética e a autonomia pessoal (as nossas responsabilidades pessoais), além de desenvolver a participação social (as responsabilidades sociais), ou seja, a nossa participação no gênero humano, pois compartilhamos um destino comum”.(MORIN – 2002)

O termo comunicação não é explicitamente citado pelo autor, na parte transcrita, porém, ao se referir “as nossas responsabilidades pessoais”, tratando da “participação no gênero humano”, a ferramenta poderosa chamada comunicação está presente e pertinente. As ações em geral do ser humano dependem da comunicação e, o bem ou o mal que tais ações possam provocar, passam pela responsabilidade presente nesse processo contínuo.

Referência:
CASTRO,_Rita:_Trabalho_Acadêmico:_Disponível_em:_<http://www.bocc.ubi.pt/pag/castro-rita-o-poder-da-comunicacaoe-a- intertextualidade.pdf> Acesso em 26 de agosto de 2018.
MORIN,Edgar – Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro – 5ª Edição – Tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya – Revisão técnica de Edgar de Assis Carvalho – São Paulo Cortez, 2002
Dicionário_Michaelis_http://michaelis.uol.com.br/busca?id=wWlL> Acesso em 25de agosto de 2018.

Designed by asierromero

Deixe uma resposta

O seu e-mail não será publicado.

*


© 2018 Pauta Online Blog

Topo ↑