Desempenho escolar – consequências e causas

 

Os números apresentados pelos indicadores que medem o desempenho escolar de nossas crianças mostram um retrato que merece atenção do ser humano que vê na educação um meio para o desenvolvimento do indivíduo.  Este comentário tem como pano de fundo a educação básica pública brasileira, principalmente sob o ponto de vista dos resultados globais. O ponto central de tal discussão recai sobre a necessidade de se descobrir de forma definitiva as causas que levam aos resultados que temos. Caso contrário, as ações realizadas com base apenas nas consequências (de causas “desconhecidas”), pouco ou nenhum efeito apresentam.

Desempenho

Em 2015, na avaliação do (Pisa) —, sigla em inglês para Programme for International Student Assessment (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que testou o conhecimento dos alunos concluintes do Ensino Médio, em 72 países, o Brasil ficou próximo às últimas posições, como mostra matéria publicada na página Carta Educação:

O Pisa 2015 testou cerca de 540 mil estudantes de 15 anos de idade de 72 países. Nas três áreas avaliadas, ciências, leitura e matemática, os estudantes brasileiros tiveram desempenho abaixo da média da OCDE. Se em ciências e leitura os dados revelaram estagnação, em Matemática houve uma pequena queda na performance.

Entre as 72 nações, o relatório mostrou o País na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática. Em ciências, os alunos brasileiros obtiveram 401 pontos contra 493 pontos da média da OCDE, em leitura, 407 pontos ante 493, e em matemática, 377 pontos contra 490.

No quadro geral, quase metade (44,1%) dos estudantes brasileiros obteve performance abaixo do nível 2 da prova, considerado adequado. Cerca de 56% pontuaram abaixo do nível 2 em ciências e metade dos alunos ficaram abaixo do adequado em leitura. A área de matemática revelou o quadro mais crítico: 70,25% estão abaixo do esperado.(Carta Educação – web)

Esse quadro mostra aspectos preocupantes para quem acompanha a educação e seus desafios cotidianos. Alguns desses aspectos são referentes às consequências, estas de influências mais momentâneas, e outros relacionados às causas, ou possíveis causas que culminam nesses resultados que se apresentam. Esses resultados, por sua vez, sugerem mais atenção, estudos e estratégias para serem eficazmente tratadas.

Consequências

Em 2018, provavelmente no mês de maio deve haver a aplicação da nova edição da avaliação do PISA. Programa este que desde o ano 2000 faz a aferição do desempenho de estudantes nos países signatários. Apesar das entrevistas com dados positivos apresentados por representantes do governo, ao analisar as posições ocupadas pelo Brasil nos teste de Ciências, Leitura e Matemática, é possível concluir que a aprendizagem, ou o desempenho de nossos alunos está bem abaixo do que se considera ideal para o nível de estudo avaliado. Fato. O que se presume disso é que há causas geradoras desse quadro e, obviamente tal quadro é consequência de causas que não foram ainda identificadas e tratadas adequadamente. Por essa razão, as consequências continuam sendo assustadoras, ou denominadas “tragédia”, como o fez recente um ministro da república. Confissão.:

O ministro da Educação, Mendonça Filho, lamentou os números. “Esse resultado é uma tragédia”, afirmou. “E confirma exatamente o diagnóstico que fizemos, desde o início da nossa gestão, de que, apesar de termos multiplicado por três o orçamento do Ministério da Educação, em termos reais, o desempenho ficou estagnado ou até retrocedeu, como é o caso específico de matemática.” (portal |MEC)

O poder público se vê ineficiente diante dos resultados. Como explicar isso? É bem verdade que existem escolas, cidades e municípios que destoam da média apresentada nos números em discussão. O que chama a atenção é o resultado geral, que sob alguma forma de olhar mostra que o trabalho realizado, apesar de investimentos e esforços, não tem sido suficiente para elevar o patamar de desempenho do país em educação, nos níveis fundamental e médio. E isso por si só já seria algo muito sério. E passa a ser duplamente sério, quando se percebe que as políticas públicas que, quando eficazes têm capacidade de abrangência maior, não possuem definida ainda qual causa, ou quais causas devem ser PRIORITARIAMENTE atacadas para elevar o desempenho de nossos estudantes.

Diante dessa situação o trabalho em educação passa ter características de simples tarefa. Algo como: Município define a política que vai adotar. A secretaria define as diretrizes e o calendário e repassa aos gestores. A escola com sua equipe, gestores, docentes e comunidade (quando participa), define a proposta pedagógica, voltada para os conteúdos curriculares das disciplinas da grade curricular. O professor prepara seu plano de trabalho de modo a atender a grade curricular. O trabalho é árduo, a cobrança é grande, a pressão é intensa, o resultado, todavia em muitos casos é decepcionante, como mostrado pelos dados acima. Isso são consequências de algumas causas. A próxima notícia pode ser boa ou ruim, depende de como for interpretada, ela é: enquanto não se descobrir a real causa do baixo desempenho dos estudantes, os resultados dificilmente serão melhores. Isso são consequências de quais causas?

Causas

Por que um aluno não melhora o seu desempenho? O que faz certos alunos melhorarem o desempenho? As respostas para essas perguntas são variáveis. Cada turma de alunos tem suas particularidades. Cada aluno é único como ser humano. Cada professor é um ser humano e não uma máquina de ensinar. Eis aí grandes aspectos da educação a serem pensados. Por falar em particularidades dos seres, na obra Inteligência Emocional, o autor Daniel Goleman, aborda a questão da aprendizagem de alunos e do desempenho escolar, eis um pouco do que diz:

Mais gratificante para mim foi a maneira como o conceito foi ardentemente abraçado pelos educadores, na forma de programas de “aprendizado social e emocional”, ou SEL (social and emotional learning). Nos idos de 1995, havia apenas um punhado desses programas ensinando habilidades de inteligência emocional a crianças. Agora, uma década depois, dezenas de milhares de escolas em todo o mundo oferecem SEL às crianças. Hoje em dia, nos Estados Unidos, o SEL é requisito curricular em vários distritos, e até mesmo em estados inteiros, exigindo que os alunos, da mesma forma que precisam alcançar um determinado nível de competência em matemática e linguagem, dominem essas fundamentais aptidões para a vida.Ao redor do mundo, Cingapura empreendeu uma iniciativa diligente no que diz respeito ao SEL, assim como algumas escolas na Malásia, Hong Kong, Japão e Coréia. Na Europa, o Reino Unido foi pioneiro, porém mais de 12 outros países possuem escolas que adotam QE, da mesma forma que a Austrália e a Nova Zelândia e, aqui e ali, países na América Latina e na África. Em 2002, a UNESCO deu a partida em uma iniciativa global para promover o SEL, enviando aos Ministérios da Educação de 140 países um relatório contendo dez princípios básicos para a sua implementação.

Em 1995, também propus que boa parte da eficiência do SEL veio do seu impacto na modelagem do circuito neural em desenvolvimento da criança, principalmente as funções executivas do córtex pré-frontal, que controlam a memória funcional — o que guardamos na cabeça durante o aprendizado — e inibem impulsos emocionais destrutivos. Agora foram encontradas as primeiras provas científicas preliminares desse conceito. Mark Greenberg, da Universidade Estadual da Pensilvânia, co-criador do currículo PATHS (sigla de Parents and Teachers Helping Students — Pais e Professores Ajudando Alunos) do SEL, relata não só que esse programa para estudantes do ensino fundamental aumenta o desempenho acadêmico, mas também que, ainda mais significativamente, grande parte da melhora na aprendizagem pode ser atribuída ao aperfeiçoamento da atenção e da memória funcional, funções-chave do córtex pré-frontal.2 Isto sugere veementemente que a neuroplasticidade — a modelagem do cérebro através de experiências repetidas — exerce um papel crucial nos benefícios do SEL. (GOLEMAM, Daniel, Inteligência emocional, p. 12, 13 e 14)

As causas sendo identificadas, as ações podem ser mais eficazes para o desempenho dos estudantes. A obra acima referida dá um dica preciosa sobre ações que seguiram percursos definidos a partir da identificação das causas do baixo desempenho. As diversas localidades do planeta que adotaram em seus sistemas de ensino formas de atender seus estudantes levando em conta a realidade em que vivem e os fatores que determinam seu desempenho, têm obtido resultados expressivos nas avaliações a que são submetidos. Todo resultado tem alguma causa. Ignorar isso seria desastroso.

A questão é: temos à vista e bem exposto o resultado da EDUCAÇÃO Básica pública brasileira. Isso que temos é só consequência da realidade social do país. É também consequência dessa realidade. O que é urgente pensar coletivamente é: diagnosticar as causas que produzem esses resultados e, usando as “ferramentas” apropriadas, planejamento estratégico e muito comprometimento, começar a agir.

 

Referências

http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/brasil-mantem-ultimas-colocacoes-no-pisa/> Acesso em 22de abril de 2018.

http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=42741> Acesso em 22de abril de 2018.

GOLEMAN, Daniel Inteligência emocional [recurso eletrônico] / Daniel Goleman; tradução Marcos Santarrita. – Rio de Janeiro : Objetiva, 2011. recurso digital

Imagem: Freepik

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