Educação integral

 

A expressão do título deste comentário, ultimamente tem ganhado amplitude nos debates educacionais. Por mais que ainda seja confundida com a expressão “escola integral”, e estarem ambas relacionadas em algum sentido, a diferença entre elas é imensa. Quando se trata de escola integral, geralmente a referência fica restrita ao tempo de permanência dos estudantes no ambiente escolar, enquanto que, tratando-se de educação integral, o conceito muda e requer uma compreensão ampla e contextualizada quanto às dimensões do desenvolvimento do estudante. Para satisfazer ao que determina a legislação educacional do país – “pleno desenvolvimento do indivíduo” – a Educação Integral nasce como uma forma de procurar atender essa necessidade inseparável de cada ser.  

A legislação brasileira já estabelece como dever “…da família e do Estado…” a educação integral há mais de 30 anos. Quando contém em seu texto as palavras “…pleno desenvolvimento do educando…”, faz-se crer que o sentido mais aplicável da frase seja o desenvolvimento completo, inteiro, integral, o que traduzido no conceito aqui em discussão, originou o termo Educação Integral. A seguir a transcrição do referido dispositivo legal:

Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.[…] (BRASIL-1996, LDB – Lei 9.394/96)

As poucas linhas do texto legal acima contêm grande significância para a educação no país e para a sociedade. O “desenvolvimento pleno do educando”, engloba os mais diversos e complexos aspectos presentes na realidade de cada estudante independentemente do local, das condições, e das circunstâncias em que se encontre, que devem ser compreendidos e trabalhados intencionalmente.

A escola integral, por oferecer tempo maior de permanência em seu ambiente contribui para a Educação Integral. No entanto, existem diversos outros aspectos nesse conceito que vão além do tempo e das competências referentes às disciplinas curriculares. Está implícito nele a compreensão de algumas dimensões que fazem parte do desenvolvimento do ser humano, como as definidas pela Base Nacional Comum curricular – BNCC, dimensões física, intelectual, emocional, social e cultura. Em todas as quais há diversas habilidades a serem treinadas, exercitadas para permitir o desenvolvimento de competências fundamentais para a vida e o exercício da cidadania em um mundo cada vez mais desafiador.

As referidas dimensões do ser não são opcionais, elas estão presentes em cada indivíduo, independente de suas condições e, possuem configurações diferentes, em virtude das peculiaridades contextuais que formam as múltiplas realidades possíveis. Olhar com atenção para tais dimensões e oferecer meios para que sejam todas plenamente desenvolvidas de acordo com o potencial de cada um é a desafiadora provocação que a Educação Integral propõe. Enquanto o desenvolvimento físico é o primeiro a ser notado da vida do indivíduo, nascer, crescer, e por aí vai, as demais dimensões estão além do plano visual. Elas abrangem aspectos que são mais complexos. Desde a dimensão intelectual, que trata dos aprendizados, inclusive das disciplinas acadêmicas, indo além quando se refere ao processamento das decodificações que, em linhas gerais, dão orientação às ações e tomadas de decisão, todas elas devem ser valorizadas e desenvolvidas intencionalmente. Referente à dimensão emocional, campo em que se processam as emoções, é imprescindível um olhar atento para que ela contribua positivamente para o bem-estar do indivíduo e de seus semelhantes no convívio e nas múltiplas relações. Aprendizagem e desenvolvimento que podem ser absorvidos pela prática e exercício do autoconhecimento. Indo um pouco além, as dimensões sociais e culturais, merecem também atenção pois com suas ações, atitudes e comportamento, cada indivíduo constrói sua reputação e sua história. Portanto, o desenvolvimento proposto pelo conceito de Educação Integral, considerando todas as dimensões do ser humano, representa um passo decisivo para que a sociedade seja realmente cidadã, composta de seres que se desenvolvem em todas as suas dimensões e, assim vivem e se relacionam na prática.

Considerar cada ser como sendo capaz de viver a plenitude de sua integralidade, e a educação como o meio para garantir seu pleno desenvolvimento, pode parecer sonho, todavia é o resultado do desenvolvimento pleno. E, isso é Lei.

 

Referência

https://educacaointegral.org.br/conceito/?gclid=EAIaIQobChMI9q7apqP83gIVDweRCh1ttgeCEAAYASAAEgI74_D_BwE> Acesso em 30 de novembro de 2018.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm> Acesso em 30 de novembro de 2018.

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